Nossa História

Resgatado para resgatar
Frio, fome e humilhação. Com isso ele descobriu a missão a ser cumprida na terra. Resgatar vidas!
"Aos oito anos fui expulso de casa". É assim que, José Ivo Souza Macedo , fundador do projeto Acresvi, começa a relatar a história do seu passado. Segundo ele, sempre foi uma criança peralta. Era comum quebrar copos, pular em cima da cama e riscar as paredes. Uma forma de esquecer por alguns instantes, a violência que presenciava, diariamente de seus pais dentro de casa. Mas o que José Ivo não sabia, era que ser arteiro, seria o principal motivo para ser expulso de casa aos oito anos de idade. 
Nessa idade, ele já sabia fumar cigarros! Este, foi um dos exemplos dados pelo pai de José Ivo. Agora sem rumo, sem casa, sem a proteção dos pais e oito anos de vida. Foi então que passou a "se virar" nas ruas de Curitiba. E claro, que ele não estava frequentando uma escola de bons ensinamentos. Pois essa escola, era a da vida!Com alguns meses de experiência, ele já havia aprendido a roubar. E foi dessa forma que foi surpreendido pela polícia, pela primeira vez.
"Eles me bateram muito. Me queimavam com cigarros, colocavam um balde de alumínio na minha cabeça e com um cabo de vassoura batiam em mim. Me humilhavam com as mais doloridas palavras que alguém possa ouvir. Fizeram com que eu me sentisse um verme para a sociedade naquele momento", relata o fundador.
Depois disso, as coisas foram de mal a pior. Além dos assaltos, veio a Cocaína e bebidas alcoólicas. A violência, revolta e desespero tomaram conta de um menino que, nesse momento, estava com onze anos. A fome, o obrigava a se alimentar dos lixos que as pessoas dispensavam na beira das ruas e lixeiras. "Eu compartilhava a comida com os ratos", expõe José Ivo, que naquela época, não tinha outra opção para comer.
Mas o que não imaginava, é que o sofrimento acabaria dois anos depois. Aos treze anos... "Um anjo foi enviado por Deus", conta.
O resgate
"Mais um assalto aconteceria naquela madrugada". 
O ano de 1992, seria repleto de mudanças. Segundo ele, alguém impediu que o roubo acontecesse naquela noite. João Carlos Andrade, membro da Clínica de Recuperação Exército de Salvação, localizada no bairro Boqueirão na capital paranaense, surgiu e lhe fez uma proposta: Mudar de vida! Com um pouco da inocência que lhe sobrou perante a sobrevivência nas ruas, o menino aceitou o convite.
Um pouco desidratado e com um comportamento ainda agressivo, José Ivo iniciava uma nova etapa em sua vida. Foi a partir disso, que o menino começou a idealizar o desenvolvimento de um sonho. Inspirado no fundador do projeto Exército de Salvação, Willian Booth, ele tentava achar uma forma de colocar em prática tudo que planejava, quando voltasse para a realidade das ruas. Aos dezesseis anos de idade, saiu da clínica de recuperação. E agora sim, era o momento de agir para realizar o sonho de "resgatar vidas". Para José Ivo, essa era uma forma de retribuir algo que um dia, fizeram para ele.
Aos trinta e oito anos, agora com uma família constituída e inserido no mercado de trabalho, como representante comercial de uma empresa. Ele e a esposa, Fabiana Elizabete Sbricia Macedo, donos de uma fé inabalável, deram ponto de partida à Acresvi Semear (Associação Casa de Recuperação Semear Vida) que existe há Quatro anos e beneficia cerca de quatrocentas famílias no município de Quatro Barras. Além disso, com apoio de colaboradores, está em andamento a construção de uma casa que vai abrigar mais de 25 crianças e jovens de até 18 anos. Enquanto a obra não termina, José, que é conhecido como Ivo na comunidade, encaminha essas pessoas para clínicas e abrigos de parceiros do projeto. "Estamos trabalhando juntos nessa obra para celebrar mais uma conquista Acresvi", complementa Fabiana. 
De acordo com palavras de Ivo: "Deus me enviou neste mundo para estender a mão aos que precisam. Assim como um dia eu precisei e me ajudaram. Eu podia estar morto ou estar matando pessoas. Mas estou aqui, resgatando vidas"!
Agradecimentos:
- Primeiramente agradeço a Deus. Sem a força divina, nada disso seria possível.
- À minha família, que desde o início me apoiou para que tudo isso tornasse realidade.
- Aos colaboradores e às famílias que se tornaram a família Acresvi. 
- E a todos, que de alguma forma, fizeram e fazem parte desse projeto.

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